
Mal sabiam que naquela coluna muitas outras garotas que gostam de moda já saíram e que aquilo era relativamente comum, mas lógico, qualquer acontecimento desses já faz uma mãe se orgulhar, é mãe certo?
E se eu tivesse ficado até o fim do semestre? Não sei, não tenho condições financeiras de gastar tudo isso sem certeza de retorno e fui, de certa forma, obrigada tomar essa decisão...
Um dia depois de acordar as 5 da manha daquela minha rotina de longas viagens do interior pra capital e da capital pro interior, eu acordo sem rotina, sem objetivo, sem planos e sem certezas. Já pensei em viajar, já pensei em morar sozinha em Baurú, e continuo sem saber o que fazer. Aproveitei o tempo livre e decidi ficar em forma, e esse foco ajudou a manter minha mente sã e foi aí que percebi o maior dos benefícios de manter o corpo ativo é esse: saúde mental. Já teria enlouquecido se não fosse isso, enlouquecido de incerteza, enlouquecido da falta de planos, objetivos e do excesso de ócio.
Logo começo a sentir a corda apertando meu pescoço, 21 anos, quase 22 e o relógio que parece apertar o passo a cada ano de vida me persegue nos meus pesadelos. Pesadelos em que eu volto no colégio em que cresci, e amei cada ano que estudei lá. Mas então por que seria um pesadelo? Porque eu era a unica velha rodeada de adolescentes que esbanjavam tempo pra pensar nas suas decisões e que sonhavam sem pressa. Dos que estudaram comigo eu era a única ali, desesperada olhando pra minhas mãos vazias, nenhuma formação, portfólio em branco, sem viagens e experiências, me afogando em tanto atraso.
Exagero? Talvez não, talvez seja resultado daquela pressão de que eu deveria ter saído do colegial sabendo o que eu faria pro resto da vida, ou então a sensação de dívida por todas essas mensalidades que alguns falam que foram em "vão" mesmo que eu não concorde, já que aprendi muito esse tempo. No fundo eu acho que essa idéia de ir atrás da minha "segunda opção" e abandonar o maior sonho é o que está me torturando...